A importância das mulheres para a tecnologia

A tecnologia se mostra, cada vez mais, parte imprescindível do nosso cotidiano. Sem internet, redes sociais ou até mesmo as plataformas de ensino remoto e os aplicativos que nos permitem estar próximos aos nossos familiares e amigos a todo momento, não teríamos as facilidades que temos na nossa rotina.

O que muitos não sabem, no entanto, é que por trás dessas invenções estão grandes nomes femininos que fizeram história para que hoje pudéssemos ter o que conhecemos por computadores e outras criações que facilitaram e serviram de base para as tecnologias que conhecemos hoje.

Outra questão que pode passar despercebida é a importância de mulheres que fizeram com que fosse possível para outras mulheres ingressarem no mercado da tecnologia na atualidade. Ainda assim, sabemos que este mercado é ainda muito desigual para a maioria das mulheres e entendemos a dificuldade de acesso que o setor pode ter para muitas meninas.

Por isso, na semana em que comemoramos o dia da mulher, dedicamos o post para homenagear grandes nomes da tecnologia que são, antes de tudo, mulheres.

1. “As garotas do ENIAC”

Antes das linguagens de programação e sistemas computadorizados, os primeiros computadores dependiam da interferência humana e aparatos mecânicos para que funcionassem – bem como dependiam de uma capacidade cerebral muito aflorada para exercer funções nas máquinas.

Cálculos de trajetórias de mísseis e bombas foram traçados com mais facilidade a partir do uso desses sistemas. Foi aí que a informática conheceu as primeiras mulheres para fazer o trabalho: “as garotas do ENIAC”, um grupo de seis mulheres que foram as primeiras “computors” da história da informática.

Na Escola de Engenharia Moore, na Pennsylvania, nos Estados Unidos, elas trabalhavam em um dos primeiros supercomputadores criados. Betty Snyder, Marlyn Wescoff, Fran Bilas, Kay McNulty, Rutch Lichterman e Adele Goldstine eram as responsáveis pela configuração do ENIAC, dando ao computador instruções para que ele realizasse os cálculos necessários. Elas lidavam, todos os dias, com mais de três mil interruptores e botões que ligavam um hardware de 80 toneladas – tudo isso feito de forma manual.

Mais do que apenas operar a máquina, elas foram responsáveis pelo início e a base de muitos protocolos usados até hoje. Goldstine, por exemplo, criou o primeiro manual do ENIAC, com instruções de uso e boas práticas das operações. Jennings foi fundamental para a criação de sistemas de salvamento de configurações e preferências de usabilidade do computador. Snyder criou o primeiro sistema informatizado para o censo americano e inventou um teclado numérico para facilitar a programação.  

2. Irmã Mary Kenneth Keller

Mary Kenneth Keller foi considerada a primeira mulher a receber um doutorado em ciências da computação. Formada pela Universidade de Washington, na cidade de St. Louis, nos Estados Unidos, seu diploma veio só em 1965 – sendo que desde 1958 Mary já trabalhava em oficinas de informática.

Sua contribuição foi importantíssima para a criação da linguagem de programação BASIC, criada para fins didáticos e utilizada por muitos e muitos anos até ser substituída pela Pascal, uma linguagem mais arrojada e segura. Além disso, Mary percebeu, desde cedo, o grande potencial dos computadores como ferramentas educacionais e voltadas para o desenvolvimento humano – seja por meio de um acesso mais facilitado à informação ou, simplesmente, como um suporte nas salas de aula.

Ela também trabalhou na área do ensino, fundando um departamento de ciências da computação na Universidade Clarke, em Iowa. Mary Kenneth Keller é autora de quatro livros sobre computação e programação e suas obras são referência na área até os dias de hoje.

Como mulher precursora da inclusão das mulheres no ramo da informática, ela é um grande marco para a luta feminina.

3. Jean Sammet

Jean Sammet foi a criadora de uma das primeiras linguagens computadorizadas que existem. O FORMAC, que começou a ser utilizado no final dos anos 1960 pela IBM, empresa importante para o setor, era utilizado para manipular fórmulas matemáticas e auxiliar em cálculos mais complexos.

Antes de se tornar doutora em ciências da computação, Sammet trouxe consigo duas formações distintas em Matemática: uma pela Universidade de Illinois e outra pelo Mount Holyoke College. Devido a isso e seus conhecimentos em informática, Sammet trabalhou por 27 anos na IBM.

Além disso, a cientista também teve grande influência na criação do COBOL, linguagem de programação que é base para várias outras linguagens até hoje, e participou de várias iniciativas voltadas à inclusão das mulheres na indústria da tecnologia.

Se hoje podemos ter acesso aos frutos das invenções que tiveram a influência de grandes nomes da ciência da computação como estas mulheres, nada mais justo que dedicar uma homenagem a elas e passarmos a entender que o um futuro de equidade para futuras cientistas é possível pela luta iniciada décadas atrás.

Que possamos, cada vez mais, reconhecer a luta de mulheres que fazem a diferença na história e permitir que as meninas de hoje possam se dedicar à ciência e aos setores da tecnologia assim como essas mulheres puderam crescer e se tornar nomes importantes para a história.